sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O fim de ano teve sua dose de tristeza bem pesada para a minha família. Depois de 17 anos com a gente, nossa cachorrinha morreu. Quase que de um dia para o outro. Em um dia estava bem, cheirando flores em um jardim, no outro infelizmente já não estava mais aqui. Teve um probleminha de saúde que, agravado com um outro que já vinha da "adolescência", se agravou e fez ela descansar. A primeira coisa que falei para o meu marido quando soube da notícia, depois de chorar muito, foi: "a gente nunca vai ter um cachorro". A sensação de dor era tão grande que decidi que nunca mais queria passar por aquilo. Nunca mais queria amar um serzinho daqueles e ter que perder um tempo depois.


Mas, por que não ter um cachorro?



***

A Cindy nasceu dia 25/11/1996. Veio para nossa casa em março de 1997. Eu tinha 9 anos. Lembro da felicidade de ter um serzinho daqueles em casa, a vontade de contar para todo mundo do colégio e o medo que eu tinha dela me morder, me machucar. Como um bom bebê, a Cindy gostava de mordiscar tudo o que visse pela frente. E eu tinha medo dela fazer isso com força e me machucar. Um yorkshire terrier micro, de sei lá, 1 kg e 3 meses. E eu tinha medo. Mas eu tinha 9 anos...

Fotinho do dia que a Cindy foi pra casa. Eu com nove anos, minha irmã com 13 e a gordinha com 3 meses!


Cada um em casa tinha uma relação com cachorros antes da Cindy. Eu e minha irmã gostávamos, mas com um pouco de receio. Meus pais tiveram seus cachorros na infância, mas na época em que cachorro ainda comia restos do almoço e ficava do lado de fora da casa. Meu pai achava um absurdo gastar muito dinheiro com cachorro e minha mãe não gostava nem que a Cindy entrasse dentro dos quartos. Mas sabe aquela vontade louca que toda criança tem de ter um cachorrinho? Então.

Meu aniversário de 10 anos, a Cindy com 9 meses! E no meu aniversário de 26, ano passado.


Aos poucos, a Cindy foi conquistando o espaço dela em casa. E foi conquistando a gente. Transformou meu pai no pai babão, que mima a cria, minha mãe na líder da matilha, quem ela mais respeitava, e eu e minha irmã em irmãs (apesar da minha irmã querer se denominar como mãe, quem era a mãe era minha mãe mesmo rs). E além de transformar nossa relação com ela, mudou nossa relação entre a gente e com outros animais. Matar formiga? Jamé. Entrou um bicho em casa? Espanta, mas não mata. O que será que esse peixinho está pensando? Que dó desse frango assado na mesa (sim, dó do frango assado).

O mundo passou a girar em torno da Cindy. Conversas, viagens, compras. Viajar só para hotéis que aceitassem cachorros. Se ela não pode ir, alguém fica ou ninguém vai. Comprou presente de Natal? Tem que ter o pacotinho da Cindy. Lembram do meu pai, que achava um absurdo gastar dinheiro com cachorro? Passou a gastar quase que mensalmente com vestidos para a Cindy. É casinha nova, é vestidinho pro Natal, pro Ano Novo, pro 7 de setembro, pra uma sexta-feira fria... Minha mãe, que não queria que a Cindy entrasse nos quartos, passou a chamar ela todas as noites para dormir no quarto de casal.

Fotinho agora do Natal, o último que ela passou com a gente! :~(


Tenho muitas lembranças boas da Cindy. Aliás, só tenho lembranças boas da Cindy. Que podem parecer bobas para muitos, mas que me passam uma sensação muito boa. Lembro de chegar do colégio, arrancar o tênis e deixar o pé amostra para ela puxar minha meia. Achava o máximo chegar em casa e minha cachorra tirar minha meia. Lembro de correr atrás dela em casa para fingir que eu ia pegar algum brinquedinho da boca dela. Porque ela não era que nem os outros cachorros. Quando você jogava algo, ela ia buscar. Mas nunca te devolvia. Te provocava e fazia você correr atrás dela com aquele brinquedo gigante na boca. Lembro de pegar a Cindy e deixar em um cercadinho no meu quarto quando eu estava sozinha em casa, só por ter medo de ficar sozinha. Fazia um cercadinho com uma mesa do Pica Pau, pegava um pacote de Ruffles para mim, um pouco de catchup e me sentia mais segura porque a Cindy estava lá do lado.



Eu sempre fui a última a dormir em casa, e ela sempre soube disso. Como ela usava isso a seu favor? Batia na minha porta de madrugada para pedir biscoito (porque tinha feito xixi na casinha), para brincar ou só para dar um oi. Às vezes eu abria a porta, ela entrava no quarto, dava uma volta e ia embora. Depois de mais velha, a Cindy pegou uma mania: ia até o quarto dos meus pais para dormir com eles. Um tempo depois acordava e ia dormir na sala, como se estivesse tomando conta da casa. Antes de casar eu ia lá todas as noites, ver se ela estava bem (afinal, ela já tinha 15 anos e eu tinha muito medo que ela morresse antes de eu casar) e chorar de saudades antecipadas de casa, daquela rotina nossa, dela.


A ligação que o cachorro cria com a família é incrível. Quem vê de longe pode achar loucura, mas não precisa de grandes estudos para gente adivinhar o que o cachorro quer. A gente sabe. Sabe pelo jeito que ele tá, sabe pelo jeito que ele te olha. E ele também sabe o que a gente quer. Sabe se queremos brincar, se queremos atenção, ou se só queremos passar a mão na barriga deles para tentar fazer com que tudo fique bem. Eu tinha  meu jeito de me relacionar com a Cindy, meu pai o dele, minha mãe o dela e minha irmã o dela. Todo dia de manhã a Cindy acordava com a minha mãe. Ela levava meu pai para tomar café e quando terminava, buscava a minha irmã no quarto para tomar café também. Como eu tomava café no quarto (para agilizar as coisas de manhã, sou muito lerda), ela simplesmente me dava duas lambidas no tornozelo para me dar bom dia. Você pode estar com todos os problemas do mundo, mas duas lambidas na perna tem uma capacidade de melhorar seu dia que você não faz ideia...



***

Quando eu disse para meu marido que não queria ter um cachorro, pensei nos meus futuros filhos também. Não queria que eles sofressem o que eu estava sofrendo. Mas, por que não ter um cachorro? Por que eu privaria meus futuros rebentos dessa relação única que podemos ter com um animal de estimação? Para que privar eles dessa alegria contagiante que um cachorro tem, da cumplicidade, do dia a dia? Um cachorro pode ensinar tanta coisa. Te ensina responsabilidade, te ensina a cuidar melhor do outro, a ter mais amor, a dar amor sem pedir nada em troca, a ficar feliz com um simples vento no rosto, a valorizar um biscoito após fazer algo certo... além de ser o único ser do mundo que, independente de quanto tempo você passe fora, vai te receber na porta de casa feliz e rebolando com um rabo balançando loucamente como se você tivesse passado 50 anos fora de casa. E isso não tem preço.




Sim, eu vou ter outro cachorro. Porque eu quero que meus filhos sejam seres humanos melhores. Assim com a Cindy me ensinou a ser.



"Nossos animais de estimação têm a vida tão curta, ainda assim, passam a maior parte do tempo esperando que voltemos para casa todos os dias. É impressionante quanto amor e alegria eles trazem para nossas vidas, e quanto nos aproximamos um dos outros por causa deles. Só quem tem cães pode entender o amor incondicional que eles oferecem, e a dor imensa quando eles se vão". (Marley e Eu)



ps: todas as fotinhos são da Cindy, em diferentes fases da vida dela! são tantas fotos que não sabia quais colocar rs
Postado Por:Aninha As: sexta-feira, janeiro 10, 2014 3 Comentários
Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. ao mesmo tempo tão triste e tão lindo tudo q vc escreveu.. me emocionei :~
    tenho uma york terrier tbm, de 7 meses e um shih tzu de 2 anos, me identifiquei em tudo q vc escreveu.
    toda a família tem um amor incondicional e apreço enorme pelos dois, sem noção do quanto nos fazem bem né?

    ResponderExcluir
  2. não consegui terminar de escrever, deu erro não sei pq..

    o único "problema" dos peludos é que eles vivem pouco :(
    temos tanto a aprender com eles..

    bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Tamires.. uma pena que eles não nos acompanham a vida toda! Temos que aproveitar ao máximo o tempo que passam com a gente, né?

      :~)

      Bjoos!

      Excluir

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